Lubrificantes baratos e falsos são uma fábrica de problemas para o seu carro

Por Alessandra de Paula

Aquele óleo lubrificante super barato pode detonar o carro e até colocar vidas em risco! A descoberta de produtos falsificados é um alerta para os consumidores. Em agosto, a polícia interditou uma fábrica clandestina de óleo lubrificante em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. O produto, com CPNJ falso, era vendido e distribuído em Niterói (Veja mais detalhes na reportagem). Ricardo Barbosa, delegado responsável pela investigação, conta que descobriram a fábrica a partir de uma denúncia anônima.

“A informação que recebemos indicava que estavam vendendo lubrificantes falsificados em uma distribuidora em Niterói. Fomos até lá e identificamos que a loja tinha autorização para funcionar, mas estava vendendo produtos sem certificação da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e sem CNPJ. A partir daí, descobrimos a fábrica, em Duque de Caxias, em situação totalmente irregular, sem autorização para funcionar. Ainda estamos quantificando o material, porém, certamente são mais de dois mil litros de lubrificante falsificado. No momento, estamos aguardando o laudo para verificar que produto é esse”, explica o delegado.

De acordo com Barbosa, a ação de comerciantes inescrupulosos tem aumentado. “Os consumidores devem desconfiar quando encontrarem produtos com preços muito abaixo do mercado. Orientamos que denunciem à polícia, ou à ANP”, ressalta.

Problemas causados por falsos lubrificantes

Marco Antonio Gonzalez de Almeida, consultor master de lubrificantes da Petrobras Distribuidora, explica como são feitos os lubrificantes e os critérios que a indústria usa para garantir a qualidade do produto.

“Quando comparada com outras indústrias químicas, a produção de lubrificantes pode parecer simples, mas envolve uma cuidadosa mistura de óleos básicos e aditivos, que são substâncias químicas que melhoram as características dos óleos básicos, ou conferem a eles novas características. Já os óleos básicos são a principal matéria-prima dos óleos lubrificantes, que podem ser minerais (oriundos da destilação do

petróleo), ou sintéticos de variados tipos”, destaca o consultor, explicando que, além desses, há também os óleos semissintéticos.

De acordo com Almeida, a indústria de lubrificantes segue a correta proporção dos componentes de formulação, fazendo as misturas dos óleos básicos e aditivos, que são avaliados em laboratórios com equipamentos calibrados e capazes de conduzir ensaios padronizados para a liberação dos lotes para comercialização. “Utilizar um produto que atende aos níveis mínimos exigidos pelo fabricante do equipamento garante o bom funcionamento dos componentes do motor, transmissão, etc., de forma a possibilitar sua confiabilidade e durabilidade”, ressalta o consultor, que lembra que o uso de lubrificantes falsificados pode causar danos ao motor e até perda total do veículo.

“A longo prazo, pode haver desgaste prematuro das peças por falha de lubrificação; formação de borra e vernizes; aumento do uso de combustíveis e de emissões de compostos tóxicos ao meio ambiente; e elevação dos eventos de pré-ignições na câmara de combustão, que causam perda da potência, ruídos devido às vibrações e à fadiga de componentes essenciais para o funcionamento do motor, podendo causar perda total do veículo”, explica.

O consultor lembra, ainda, que se tratando de um produto falsificado, falhas catastróficas, como a quebra de pistões e do bloco de motor, podem ocorrer imediatamente após o início do seu uso, causando prejuízos, colocando o condutor e passageiros em risco, seja devido a um incêndio, ou mesmo a um acidente de trânsito.

Carlo Faccio, representante do Movimento Combustível Legal (MCL), também alerta sobre o risco de usar lubrificantes de origem duvidosa. “Os consumidores devem desconfiar quando encontrarem produtos baratos demais. Se forem falsificados, podem provocar problemas no carro e, consequente, perigo para passageiros e pedestres. O MCL está dando todo o suporte para retirada e armazenamento do produto apreendido na fábrica”, completa.

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