Food grade: o mercado de óleos lubrificantes grau alimentício no Brasil

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No dia 16 de outubro, foi comemorado o Dia Mundial da Alimentação. A data, celebrada em mais de 150 países, contribui para a conscientização global sobre aspectos relacionados à nutrição e à alimentação saudáveis. Tal preocupação, com ênfase em questões de segurança e higiene, também atinge o setor de lubrificantes, mais precisamente o segmento conhecido como food grade (ou grau alimentício), destinado a atender, principalmente, a produção das indústrias alimentícia e de bebidas, mas presente também nos setores de nutrição animal, farmacêutico, cosmético e de fabricantes de embalagens e equipamentos associados a essas áreas.

“Os lubrificantes de grau alimentício estão entre os produtos de grande importância na cadeia produtiva de alimentos e bebidas”, pontua Pedro Belmiro (à direita), editor da revista Lubes em Foco e coordenador técnico do “1º Encontro com o Mercado de Lubrificantes Food Grade” (São Paulo, 22 de outubro).

Os lubrificantes food grade são recomendados para uso em situações nas quais haja a identificação de potencial risco de contaminação, incluindo a possibilidade de ocorrência de contato incidental com o produto fabricado. São classificados como H1 e devem ser produzidos somente a partir de substâncias autorizadas por regulamentações específicas da Food and Drug Administration (FDA), a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. O órgão é responsável pela proteção e promoção da saúde pública por meio do controle e supervisão da segurança alimentar, produtos de tabaco, suplementos dietéticos, medicamentos farmacêuticos, vacinas, entre outros.

“Apesar da nomenclatura, os lubrificantes food grade não são destinados ao consumo humano, ou para contato com a pele, ou mucosa, já que são indicados para contato incidental, portanto, a contaminação dos alimentos por esses lubrificantes deve ser evitada e controlada”, frisa Lilian Miakawa, Coordenadora de Desenvolvimento de Negócios do Mercado de Alimentos da Fuchs.

Certificações industriais e religiosas

Lilian observa que os lubrificantes food grade podem diferir no mercado pelo nível de certificações que alguns fabricantes agregam aos seus produtos e processos. Essas certificações, segundo ela, têm como diferencial garantir maior rastreabilidade dos processos de produção com relação aos requerimentos de higiene na produção desses lubrificantes. “A certificação ISO 21469 de uma planta de lubrificantes food grade vem justamente para assegurar maior segurança para os lubrificantes e seus usuários finais”, explica. “As certificações religiosas Kosher e Halal (Alimentos Kosher e Halal são destinados, respectivamente, a judeus e mulçumanos, cuja produção seguem um conjunto de leis especificas) também agregam diferencial aos lubrificantes food grade e a elegibilidade de uma planta para a obtenção dessas certificações passa obrigatoriamente pela certificação ISO 21469 como requisito preliminar mandatório”, complementa a especialista da Fuchs.

O impacto dos lubrificantes nos processos produtivos de alimentos está associado ao seu potencial de risco e por ser uma fonte indesejável de contaminação para os produtos alimentícios. A executiva da Fuchs ressalta que na indústria de alimentos e bebidas, a correta escolha e aplicação dos lubrificantes podem trazer significante contribuição, de forma a assegurar processos mais seguros, evitando, assim, a contaminação durante o processamento.

“Legislação mais exigente, padrões de higiene mais elevados, boas práticas de fabricação e certificações do sistema da qualidade na indústria de alimentos asseguram a identificação dos pontos de lubrificação nos quais há risco dos produtos alimentícios serem contaminados e possibilitam ações pontuais e sistemas de controle para minimizar o risco por meio do uso correto de lubrificantes food grade”, ressalta Lilian.

No Brasil, ‘crescimento sustentável’

A executiva conta que, no passado, a produção dos lubrificantes food grade se dava de forma mais concentrada em algumas regiões do mundo. Isso se devia, segundo ela, principalmente ao alto investimento das instalações e certificações requeridas para este tipo de indústria. Atualmente, devido ao forte crescimento do setor, o aumento da escala do uso desses lubrificantes, e considerando as questões logísticas para atender este mercado, vem ocorrendo uma descentralização da produção e um aumento do número de plantas produtoras, especialmente nos grandes eixos produtores e consumidores de alimentos do mundo. “Ao mesmo tempo que ocorre este processo, há um aumento crescente das exigências de segurança nos processos produtivos dos lubrificantes food grade e um maior rigor na legislação, órgãos e agências de controle”, observa.

No Brasil, o mercado de lubrificantes food grade vem apresentando um crescimento sustentável nos últimos anos, diz Lilian. E as perspectivas são positivas, segundo ela, graças à vocação do país na produção de alimentos. “O Brasil possui uma indústria de alimentos diversificada, figura com o quinto país mais populoso do mundo com grande potencial interno para consumo de alimentos, considerado como um dos principais países exportadores do agronegócio e de alimentos industrializados no cenário mundial”, aponta.

Sobre o 1º Encontro com o Mercado de Lubrificantes Food Grade, a executiva da Fuchs crê como uma oportunidade de integrar fabricantes de lubrificantes, matérias primas e usuários dos diferentes setores, divulgar tendências, multiplicar conhecimento sobre o tema e, acima de tudo, demonstrar a importância e a contribuição dos lubrificantes food grade na estratégia de segurança alimentar nas indústrias de alimentos.

Por Antonio Carlos Teixeira

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