Instituto Americano do Petróleo quer aumentar presença no mercado brasileiro de lubrificantes e tornar marca API mais conhecida ao consumidor

Em diversos países do mundo, os óleos lubrificantes usados para garantir bom desempenho do motor estampam nas embalagens a marca API, sigla que representa o Instituto Americano de Petróleo (American Petroleum Institute). Nos próximos anos, a organização, conhecida pelo licenciamento de tecnologias avançadas de lubrificantes, pretende aumentar sua presença no Brasil e ficar mais conhecida entre os consumidores.

Em entrevista exclusiva para o Óleo Certo, Delma Quintanilha, responsável pelo API na América Latina, Portugal, Angola e Moçambique, explica como é o processo para que os fabricantes ganhem autorização para usar seus famosos selos de qualidade e comenta os planos do instituto para a indústria automobilística no País.

Óleo Certo: Qual o papel do API no mercado?
Delma Quintanilha: O API é uma organização sem fins lucrativos, criada há 101 anos com objetivo de funcionar como um fórum de articulação para promover a cooperação técnica na indústria. Temos mais de 600 membros corporativos, uma atuação internacional e, o mais importante disso tudo, 700 publicações em vigor, sempre com voluntários internacionais. Muitas normas e revisões foram produzidas e algumas estão próximas da 50ª edição. Temos mais de 7 mil voluntários em todas as partes do mundo, inclusive do Brasil, e acreditação por um organismo americano para fazer normas, o que garante transparência e equilíbrio entre as partes. Dentro desse mesmo espírito que as normas para lubrificantes são produzidas.

Óleo Certo: O que significam as normas para lubrificantes?
Delma Quintanilha: Devido à nossa experiência, o mercado pede que desenvolvamos alguns programas. O programa de licenciamento para lubrificantes tem mais de 35 anos de existência e sua norma principal é a API 1509. Ela está traduzida para o português e define como licenciamos e como monitoramos os produtos do mercado.

Óleo Certo: O que o consumidor deve observar no dia a dia, em relação ao API?
Delma Quintanilha: Uma empresa que deseja demonstrar que atende à especificação deve se  candidatar ao nosso programa de certificação. Depois, verificamos as propriedades físico-químicas e o desempenho do lubrificante para verificar se ele atende ou não à norma. Se aquela marca atende à especificação, a empresa ganha o direito de colocar o selo do API na embalagem. Quando o consumidor final vê aquele selo, ele sabe o que tem por trás: uma organização que trabalhou para desenvolver a especificação, que interage com as organizações importantes para esse mercado, com tecnologias novas, e que checou as propriedades do seu lubrificante. O selo também significa que o API coleta amostras desses lubrificantes licenciados no mercado aleatoriamente, para checar que estão sendo continuamente produzidos atendendo a especificação. Assim, o instituto protege o consumidor que escolhe produtos com o selo API. O selo é um atestado, uma garantia dessa avaliação e do monitoramento no mercado.

Óleo Certo: Em 2020, foram lançados os novos padrões de lubrificantes, com licenciamento do API: ILSAC GF-6A e GF-6B e a categoria de serviço API SP. Como é o processo para liberar a venda desses produtos?
Delma Quintanilha: Para carros de passeio, o API trabalha com o Comitê Consultivo de Especificações de Lubrificantes da Aliança de Fabricantes de Automóveis (ILSAC), por meio de um comitê chamado Painel Consultivo de Automóveis e Óleo. Esse painel orienta e facilita o desenvolvimento e a introdução do padrão ILSAC para carros de passeio movidos à gasolina e para caminhões leves. Já para motores a diesel o API trabalha com a Associação de Fabricantes de Caminhões e Motores (EMA), por meio de equipes de desenvolvimento de categorias. Elas desempenham papel semelhante ao que é feito com ILSAC, mas orientando e facilitando o desenvolvimento de normas para caminhões pesados a diesel. São diversas organizações envolvidas.

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Óleo Certo: O que o mercado brasileiro pode esperar do API nos próximos anos?
Delma Quintanilha: O API vem se preparando para apoiar cada vez mais o mercado brasileiro. Entendemos que o Brasil precisa de algumas frentes. A primeira é a conscientização dos usuários sobre o que significa essa marca. Precisamos ajudar um pouco todos os agentes envolvidos nesse processo: oficinas, centros de lubrificação, postos de combustíveis. Também o usuário final tem que aprender a identificar o óleo certo para seu veículo. Uma ação de conscientização está prevista para o mercado brasileiro. Outro ponto que desejamos é intensificar a auditoria pós-licenciamento feita nos pontos de venda para checar se o produto que ostenta nossa marca está ou não atendendo à especificação, conforme licenciado. Também estamos trabalhando para ter grande aproximação com a indústria automobilística, para entender as necessidades locais e de que maneira podemos colaborar. Da mesma forma, com as reguladoras. Visamos ajudar o mercado e vamos intensificar isso.

Óleo Certo: Como pode ser a atuação do mercado junto ao API?
Delma Quintanilha: As empresas podem participar de comitês, licenciar seus produtos conosco, ostentar o selo do API para que possamos então ter atuação mais efetiva para o mercado. Produtos que não atendem especificações não vão conseguir licença.

Óleo Certo: Já existem tecnologias que o consumidor pode esperar para o futuro próximo? O caminho é sempre desenvolver um produto melhor?
Delma Quintanilha: Como foram lançados novos padrões recentemente, não planejamos um novo lançamento em curto prazo. Para 2021, é possível que grupos de desenvolvimento do API comecem a planejar novos padrões de óleos para motor. Estamos sempre alinhados com o que a indústria está desenvolvendo em termos de tecnologia, para buscar melhor desempenho dos motores. As decisões são tomadas por consenso pelos grupos técnicos, o API coordena o grupo.

Material para download: íntegra da Norma API 1509

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Por Jean Souza

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