Os conflitos internacionais e o impacto no mercado de lubrificantes foram destaques, no dia 24 de setembro, na ROG.e 2026, durante painel que contou com a participação de Sergio Rebêlo, CEO da FactorK Consultoria. Luis Feijó Lemos, consultor do Sindicom, foi o moderador do bate-papo.

De acordo com o especialista, o Brasil é um “oásis” no setor de lubrificantes, mas um “oásis abastecido de longe”, já que grande parte da matéria-prima é importada:

“Nós esquecemos, mas a guerra nos lembrou, que um produto pode ser usado como arma. Esquecemos, mas as tarifas nos lembraram, que o mundo é menos liberal do que pensam. O conflito no Estreito de Ormuz trouxe tudo isso junto e misturado. A cadeia de suprimentos pede uma resposta de robustez. Vale mais o litro seguro do que o mais barato possível”, apontou Rebelo.

Apesar das dificuldades, o especialista acredita em um futuro promissor: “Essa situação [do conflito] cobrou um preço em 2026. A boa notícia é que começamos a mudar esse cenário.  O mercado de óleos lubrificantes do grupo 2 [óleos minerais de maior pureza] está em expansão. E os óleos do grupo 3 [que passam por um processo severo de hidrocraqueamento] são a próxima fronteira. Se esse desenho se concretizar, teremos capacidade de viver o maior ciclo de lubrificantes já visto”, ressaltou.

Ele comentou, ainda, que os problemas recentes mostraram que que a superoferta global de lubrificantes garante produto, mas não a entrega. Nesse cenário, pode haver expansão de óleos dos grupos 2 e 3.

Segundo Rebêlo, existe a possibilidade de os fabricantes brasileiros terem uma base para expansão de produtos com mais qualidade, conquistando regiões do mundo que se assemelham ao Brasil.