O mercado de óleos básicos foi tema de um painel no 16º Encontro Internacional com o Mercado América do Sul 2026, realizado nos dias 16 e 17 de junho, no Rio de Janeiro, evento tradicional que reúne as maiores empresas de lubrificantes do Brasil e do mundo.

O painel contou com a presença de Marcelo Guimarães, gerente executivo da ICONIC Base Oil; Ulysses Donadel, gerente de produtos especiais da Petrobras; e Thiago Trecenti, CEO da LWART. Pedro Nelson Belmiro, da revista Lubes em Foco, coordenou o painel.

A guerra entre Estados Unidos e Irã e o fechamento do estreito de Ormuz, principal rota marítima para escoamento do petróleo do Oriente Médio, estiveram entre os principais tópicos do debate.

“A situação ficou ruim na América Latina e outros países nos procuraram, porque sabem que somos a distribuidora de óleos básicos premium da Chevron no Brasil. Nós temos contrato de fornecimento e honramos nosso compromisso”, ressaltou Marcelo Guimarães, gerente executivo da ICONIC Base Oil.

Mercado de lubrificantes supera guerra

Apesar do conflito, os debatedores ressaltaram que o mercado no Brasil tem mostrado resiliência, mantendo os estoques e retomando as atividades agora que o estreito foi reaberto, após o acordo provisório assinado entre os Estados Unidos e o Irã.

“Nós temos bastante estoque e nosso petróleo vem de fora do Estreito do Ormuz, não há nenhum risco de falta de petróleo”, afirmou Ulysses Donadel, gerente de produtos especiais da Petrobras.

Donadel comentou ainda sobre o Projeto Refino Boaventura, um investimento de R$ 9,6 bilhões em contratos para ampliar o refino no Rio de Janeiro, integrando a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) e o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí. Atualmente, existem 6.300 trabalhadores atuando, com previsão de pico de mão de obra de 15.000. O marco principal será a planta de óleos básicos GII, prevista para 2029, com capacidade estimada de 1.800 m³/dia.

Lwart Soluções Ambientais aposta em expansão

Thiago Trecenti, CEO da Lwart Soluções Ambientais, referência em rerrefino de óleo, falou o sobre o projeto de expansão da empresa, que vai ampliar a capacidade anual de processamento de OLUC (óleo lubrificante usado ou contaminado) em 144 mil m³ e será a segunda maior empresa com capacidade de processamento do mundo.

Atualmente, a unidade, localizada em Lençóis Paulista, São Paulo, processa cerca de 240 mil m³ de óleo lubrificante usado ou contaminado, que resultam em aproximadamente 178 mil m³ de óleo básico produzido. Todo o projeto de expansão da fábrica tem investimento previsto de R$ 713 milhões e deve gerar aproximadamente 750 empregos diretos e indiretos durante a implantação.

“A partir de agosto até o final do ano, vamos colocar no mercado mais óleo do Grupo II. O projeto já deveria estar pronto há mais tempo, porém, um projeto dessa magnitude tem percalços, e veio no momento certo, tendo em vista o mercado”, completou.

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