
O painel “Programa de Testes MME B20/B25 e a Influência nos Lubrificantes”, realizado em 21 de setembro, marcou o início das palestras na Arena de Lubrificantes da ROG.e 2026.
O debate reuniu Isabel Cesar, coordenadora-geral de biodiesel e outros biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME); Fernanda Silva, gerente de produtos da ICONIC; Marcus Vercelino, gerente de desenvolvimento de lubrificantes da Lubrizol; e Jean Brambila, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). A condução ficou a cargo de Carlos Orlando, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
O painel tratou dos testes conduzidos pelo MME para avaliar a ampliação do uso de biodiesel e etanol nos combustíveis brasileiros e o possível impacto dessas mudanças no setor de lubrificantes.
“O aumento do uso de biodiesel pode impactar a diluição, inclusive pelas características próprias do biodiesel. Já existem testes que avaliam o impacto da oxidação, mas precisamos de mais avaliações a partir do aumento do percentual”, pontuou Fernanda.
Atualmente, o percentual obrigatório mínimo nas bombas é 15% (B15). A transição faz parte da Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que prevê o B20 (20% de biodiesel e 80% de óleo diesel fóssil) até 2030 e o B25 (25% de biodiesel) a partir de 2031, condicionados à aprovação técnica do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O objetivo é reduzir a participação do combustível fóssil por litro, diminuindo as emissões de poluentes e a dependência do petróleo.
“O principal objetivo do programa é gerar subsídios técnicos para a implementação segura da Lei do Combustível do Futuro. Os protocolos foram desenhados de forma rigorosa e acompanhamos diariamente os testes, reportando tudo ao Ministério”, ressaltou Isabel Cesar.
Marcus Vercelino aproveitou para parabenizar o MME: “Acho que, como país, estamos dando um grande passo, como demos no passado com o Proálcool [Programa Nacional do Álcool, criado em 1975 para incentivar a produção de etanol e reduzir a dependência do petróleo estrangeiro]”, ressaltou.
Para Jean Brambila, comunicar as mudanças aos usuários é essencial: “O Ministério tem um canal nesse sentido; esse pacote de informações está dentro do programa. O canal de comunicação sobre ensaios e testes precisa de muita divulgação”, frisou.
Atenção às irregularidades
Marcus Vercelino destacou a importância de combater as fraudes: “Um combustível adulterado traz consequências. O que observamos é que o biodiesel apresenta mudança de viscosidade e oxidação. O primeiro sintoma é o entupimento do filtro. Depois, falha o sistema de injeção, a queima fica incompleta e o problema chega ao lubrificante: a viscosidade se altera, surge o desgaste, porque o lubrificante deixa de cumprir sua função”, alertou.
Segundo Carlos Orlando, o lubrificante é um bem de credibilidade: o consumidor compra, paga e muitas vezes não sabe se está recebendo exatamente o que adquiriu — por isso a qualidade é tão importante.
Desafios e perspectivas para o setor de lubrificantes
Carlos Orlando questionou os convidados sobre a diversificação da frota e seu impacto na indústria de lubrificantes. Fernanda afirmou que a indústria busca evoluir e que se trata de um ecossistema interligado, mas que a hibridização ainda gera preocupações.
“Estamos fazendo testes. No caso do carro elétrico, já existem os EV-fluids [fluidos especializados de baixa condutividade elétrica usados para controlar a temperatura da bateria, do motor elétrico e da eletrônica de potência]. O que posso dizer é que a complexidade vai aumentar consideravelmente, com vários tipos de motores, cada um demandando um fluido específico”, explicou.
Outro tema abordado foi o uso de biolubrificantes, ainda em expansão.
“Existem testes sobre biolubrificantes, mas a diferença de custo em relação aos produtos de origem fóssil ainda é significativa. No entanto, vejo uma grande oportunidade de trabalharmos juntos para avançar na regulação. Precisamos definir parâmetros e atuar como indústria e sociedade para incentivar o uso”, ressaltou Fernanda.
Isabel Cesar afirmou que o governo federal acompanha a questão: “O mercado de biolubrificantes ainda é novo e precisa ser estudado”.
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