No Brasil, as motocicletas são muito mais do que um meio de transporte. Para milhões de brasileiros, a moto é a principal ferramenta de trabalho, seja para entregas, serviços de mototáxi ou deslocamentos diários. Segundo a Agência Brasil, a frota de motocicletas no país cresceu 42% em dez anos, e esse número só aumenta.

Com tantas motos nas ruas, garantir que elas estejam em perfeitas condições é essencial para evitar prejuízos e até acidentes, seja por paradas inesperadas, ou gastos com manutenção. E um dos segredos para manter o motor da sua moto funcionando como novo é escolher o lubrificante certo, com a viscosidade adequada, como explica Haydeu Queiroz, gerente técnico da Castrol, em entrevista exclusiva ao site Óleo Certo.

O que é viscosidade e por que ela é tão importante?

A viscosidade, de forma simples, é a “grossura” do óleo, ou seja, o quanto ele é fluido ou espesso. Traçando um paralelo, é como o mel versus a água: o mel é mais viscoso, enquanto a água flui com facilidade. No caso dos lubrificantes de motocicletas, a viscosidade certa é fundamental para que o óleo consiga proteger o motor, a transmissão e a embreagem – sim, nas motos, o mesmo óleo cuida dessas três partes cruciais!

“Já há um bom tempo, o óleo lubrificante é considerado, pelas montadoras, um componente dos compartimentos dos veículos (motor, transmissão etc.). No caso dos motores, quando das especificações de seu design e características como dimensões, folgas, potência, torques, entre outras, um parâmetro fundamental também é a definição do perfil do lubrificante (grau de viscosidade e níveis de desempenho). Além disso, na grande maioria dos modelos de motocicletas, a mesma carga de óleo lubrificante atua em três partes críticas: motor, transmissão e embreagem”, aponta Queiroz.

De acordo com o especialista, quando se usa um lubrificante com a viscosidade recomendada pelo fabricante, ele cria uma película protetora que reduz o atrito entre as peças, mesmo nas condições mais extremas, como na partida a frio,  ou em altas temperaturas durante longos percursos.

Isso significa:

  • Mais proteção para o motor: menos desgaste, o que aumenta a vida útil da sua moto.
  • Melhor desempenho: a moto responde melhor, com trocas de marcha mais suaves e embreagem funcionando sem trancos.
  • Economia de combustível: um motor bem lubrificado trabalha com menos esforço.
  • Menos poluição: emissões mais limpas, ajudando o meio ambiente.
  • Menor consumo de óleo: evita que o óleo “queime” rápido demais.

Como a viscosidade inadequada afeta o motor das motocicletas

Por outro lado, Queiroz alerta para os riscos causados pelo uso de produtos que não atendem às especificações determinadas pelos fabricantes:

“A viscosidade inadequada em uma motocicleta tende a comprometer de forma significativa a performance e proteção do motor [vida útil, durabilidade, custos com manutenções corretivas e tempo com a moto parada, em serviço], além do impacto ambiental causado pela geração de poluentes”, ressalta.

O especialista destaca, ainda, que os motociclistas também têm suas responsabilidades no que diz respeito aos produtos adquiridos:

“O consumidor deve fazer a sua parte, seguindo rigorosamente as recomendações das montadoras sobre o lubrificante correto a ser utilizado, prescritas nos manuais destes veículos/modelos, incluindo, também, as orientações relativas às manutenções preventivas, como a frequência de verificação do nível e intervalo para a troca da carga de óleo”, completou.

Como escolher o lubrificante certo?

Para evitar problemas, a dica é simples: siga o manual da sua moto. Nele, o fabricante indica a viscosidade ideal do óleo (como o 10W-30, 10W-40, ou 20W-50 – indicada para motos com mais de 15 anos de uso) e o nível de desempenho necessário.

Então, na próxima troca de óleo, não economize na qualidade: escolha o produto certo, siga as orientações do fabricante e mantenha sua ferramenta de trabalho funcionando como nova. Afinal, uma moto bem cuidada é sinônimo de menos preocupação ao pilotar!

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