Entenda como lubrificantes de última geração podem potencializar o desempenho da nova gasolina nos motores com injeção direta

Óleos e gasolina com tecnologia avançada resolvem problemas antigos de motores de injeção direta (GDI) e turboalimentados (TGDI)

O mercado de automotivos adentrou o segundo semestre com forte motivo para celebrar: no início de agosto, foi lançada a gasolina com padrão avançado de qualidade, sendo aguardada há anos pelas fabricantes nacionais. Com especificações definidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ela proporciona melhor dirigibilidade aos veículos, é menos poluente e sua composição dificulta a adulteração.

A notícia do lançamento fica ainda melhor quando falamos em lubrificação, pois, segundo especialistas, usar o novo combustível e os lubrificantes certos trará inúmeras vantagens para seu carro.

“O que estava ficando bom vai ficar ainda melhor. Essa gasolina vem bem adequada às novas tecnologias de motores, e quanto aos lubrificantes, o mercado já dispõe das categorias API SP / ILSAC GF6-A e GF6-B, e SN Plus / ILSAC GF5”, celebra Marco Almeida, consultor em tecnologia e serviços técnicos de lubrificantes e lubrificação do Óleo Certo. “O motor evoluiu, o lubrificante veio junto, e agora está vindo o combustível para montar esse arcabouço de uma nova tecnologia de motores”, conclui.

Os critérios de produção da nova gasolina são definidos pela resolução n.807/2020 da ANP e alteram três aspectos: valor mínimo da massa específica, parâmetros de destilação e fixação de limites para a octanagem RON. Com isso, o combustível se iguala ao padrão de países europeus.

Vantagens do uso da nova gasolina com lubrificantes de última geração*

 * Óleos SN Plus ILSAC GF5, API SP, ILSAC GF6-A e ILSAC GF6-B

  • Redução do risco de detonação, devido à queima mais otimizada do combustível. Válido para motores GDI, TGDI e respectivos downsize (1,0L, 1,2L, 1,4L);
  • Melhoria na marcha lenta;
  • Diminuição da queima parcial do combustível, tanto na marcha lenta como no “anda e para”, com menor risco de contaminação do lubrificante pelo combustível parcialmente queimado;
  • Menor probabilidade de formação de borra no cárter do motor;
  • Redução na formação de depósitos na câmara de combustão, evitando a ocorrência de pré-ignição à baixa velocidade (LSPI).

Novo cenário para motores com injeção direta

Com produção cada vez maior no Brasil, os motores de injeção direta (GDI) e turboalimentados (TGDI) vinham experimentando problemas recorrentes devido à defasagem tecnológica, tanto em relação a combustível quanto a lubrificantes. Por isso, problemas como pré-ignição à baixa velocidade (causadora da quebra de alguns motores), ou vaporização do óleo, são frequentemente relatados pelos proprietários.

Eduardo Buarque de Alcázar, analista de produtos e marcas da BR Distribuidora, comenta a corrida do mercado de lubrificantes para dar conta dos problemas detectados nos veículos, antes mesmo do surgimento de um novo combustível. “Essa demanda foi tão relevante, que levou a API [Instituto Americano de Petróleo] a lançar uma categoria intermediária de óleos para motores ciclo Otto, a API SN Plus, mesmo quando já estava para lançar a categoria definitiva API SP”, relata.

“Essas categorias incluíram uma nova sequência de testes em motor GDI para garantir que o lubrificante não contribua para o fenômeno de pré-ignição à baixa velocidade (LSPI). No lado das gasolinas, a ANP publicou, agora em 2020, a Resolução 807, com uma nova especificação de octanagem RON, devido também à possibilidade de problemas nos motores GDI turboalimentados”, explica o representante da BR.

Segundo ele, a categoria API SP também criou uma sequência de testes usando E85, etanol com 15% de gasolina, o que aproxima esse lubrificante da realidade dos combustíveis usados no país.

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Benefícios se estendem a motores antigos

“Se considerarmos o que foi lançado nos dois últimos anos, temos uma enxurrada de carros com motores de injeção direta que precisam da tecnologia API SP e SN Plus de lubrificantes. Essa gasolina vem para se adequar a esse cenário. E nos motores mais antigos esta melhoria vai ser sentida também em menor intensidade, explica Marco.

De acordo com o consultor da ABD, a grande percepção de mudança ocorrerá nos motores GDI e TGDI, mas os motores de concepção mais antiga, como os 1.6L, 1.8L e 2.0L, também poderão experimentar melhorias.

“Apesar de, anteriormente, o IAD ter sido suficiente para assegurar a boa performance nos tipos de motorização predominantes, observou-se que os novos motores GDI são muito mais sensíveis à octanagem RON e à sensitividade (diferença entre RON e MON). Por isso, a ANP introduziu limites para valores mínimos de RON tanto na gasolina comum como na gasolina premium, não havendo mais preocupação com o índice “IAD”, diz Alcázar.

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Nova densidade

A elevação da densidade da gasolina é destacada pelos especialistas. “Com densidade maior, o motor do carro vai receber mais massa de combustível. Isso otimiza a queima e gera menor consumo”, resume Almeida. “Esse limite tirará do mercado muitas gasolinas leves que não permitiam ao motor atingir o rendimento esperado”, diz Alcázar.

Recomendações

“Em muitos casos, usar apenas a ‘nova’ gasolina, sem escolher o lubrificante correto, não será suficiente para o motor funcionar adequadamente e os problemas de pré-ignição poderão eventualmente ocorrer, prejudicando a dirigibilidade do veículo e até causando sérios danos ao motor”, alerta o analista da BR.

Para ter o melhor desempenho, os especialistas dão algumas dicas importantes: sempre atentar para as recomendações do manual do fabricante, evitar carro parado por muito tempo, suspeitar de preços excessivamente baixos nos postos e fazer a troca de óleo no tempo correto.

VÍDEO: Carro antigo pode usar lubrificante de última geração?

Por Jean Souza

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