Durante sua apresentação no 16º Encontro Internacional com o Mercado América do Sul 2026, realizado nos dias 16 e 17 de junho no Rio de Janeiro, o engenheiro químico Pedro Nelson Belmiro, à frente da revista Lubes em Foco, traçou um importante panorama sobre o mercado de lubrificantes no Brasil.

Belmiro analisou a evolução do setor de lubrificantes, que segue com crescimento baixo, porém consistente, com aumento de 1,6% em 2025 em relação a 2024, alinhado aos principais indicadores econômicos nacionais: aumento de 2,1% nas vendas automotivas, crescimento de 1,4% do PIB industrial, e incremento de 2,7% no consumo de combustíveis líquidos.

Já comparando o panorama entre janeiro e abril de 2026 com o mesmo período de 2025, os números são mais positivos: com crescimento do mercado de 10,4%, vendas automotivas crescendo 14,9%, PIB Industrial crescendo 1,7%, e consumo de combustíveis líquidos aumentando 3,5%.

Exportação e importação de lubrificantes

No quesito exportação, o país que mais compra lubrificantes do Brasil é o Paraguai, com quase 75 mil metros cúbicos importados em 2025, representando quase 169 milhões de dólares.

Já no que diz respeito a importações de lubrificantes acabados, o Brasil segue comprando a maioria dos produtos dos Estados Unidos. Em 2025, foram quase 29 mil metros cúbicos importados no total (incluindo outros países), representando 100,9 milhões de dólares. É dos Estados Unidos que vem a maioria dos óleos básicos, com 74,3% do mercado.

Impactos da crise

De acordo com Pedro Belmiro, a crise mundial e a alta do preço do petróleo tiveram impacto no mercado em 2026, com aumento de preços e queda das margens, abastecimento global prejudicado pelo conflito entre Irã x Estados Unidos e refinarias em todo o mundo revendo a produção.

“O mercado brasileiro está respondendo de forma resiliente. O principal desafio está no produto, na gestão, ter atenção nas mudanças e estabelecer estratégias e parcerias para aproveitar as oportunidades”, ressaltou o engenheiro químico.

Combate a fraudes no setor de combustíveis e lubrificantes

Durante sua apresentação, o engenheiro químico destacou a importância de combater às irregularidades no setor de combustíveis e lubrificantes. Entre os maiores problemas, ele citou as fraudes fiscais, operacionais (descaminho, falsificações, furto e roubo de carga) e desvios de óleos usados ou contaminados (OLUC).

“A sociedade está se organizando para combater as irregularidades. Entidades como Instituto Jogue Limpo, Instituto Combustível Legal (ICL), além de empresas de rerrefino, estão trabalhando nesse sentido. O desafio é grande, mas essa atuação é fundamental para o mercado”, completou.

Evento rico em novidades e esclarecimentos

Para Pedro Belmiro, o 16º Encontro Internacional com o Mercado América do Sul 2026 trouxe discussões muito importantes e elucidativas:

“Foram palestras com muitas informações sobre óleos básicos e, em especial, sobre o mercado de lubrificantes, evolução de preços, volumes, principalmente no momento de crise mundial que estamos passando. Era necessário para os participantes a opinião de especialistas, de quem está realmente fazendo as coisas acontecerem aqui no Brasil para superar a crise. A gente viu que o mercado de lubrificantes mostra força”, ressaltou.

Luiz Feijó, consultor do site Óleo Certo, uma iniciativa do Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), também participou do evento e destacou a importância da iniciativa:

“O evento sempre traz uma grande atualização para os profissionais do setor. Achei muito importante o painel de óleos básicos, porque mostrou claramente todos os impactos na cadeia que estamos tendo. A questão do ESG também foi muito importante, porque é uma das bases do setor de lubrificantes hoje em dia. Temos que mostrar o quão limpo é nosso setor e o quão comprometido com a sustentabilidade nós estamos”, completou.

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